Um bate-papo sobre sustentabilidade

Bernadete Almeida - Coordenadora da ESPM Social fala sobre a experiência na ESPM

1 - De que forma a perspectiva da Sustentabilidade é trabalhada e desenvolvida dentro da ESPM-RJ?
Bem, na realidade, a responsabilidade social é um dos pilares estratégicos da ESPM-RJ como um todo. No entanto, como instituição de ensino e referência quando o assunto é marketing, comunicação, design e gestão, temos desafios que são só nossos e um importante papel a cumprir. E na nossa visão, este reside fundamentalmente em 3 dimensões: a dimensão acadêmica, ou seja, a sustentabilidade precisa ser trabalhada em sala de aula e isso é  oportunizado por meio de uma grade curricular que acolhe esta discussão. Neste sentido, a ESPM tem se diferenciado no mercado do Rio, pois a sustentabilidade não é tratada somente transversalmente em várias disciplinas, mas, principalmente com disciplinas específicas cujo tema sustentabilidade é o grande eixo norteador nos quatro cursos que a instituição oferece. São elas ECODESIGN (design), COMUNICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE (Comunicação), RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL (Administração) e no 7º período do curso de Relações Internacionais, a disciplina Laboratório tem como eixo temático a Sustentabilidade e aí, se discute as grandes conferências, protocolos acordos internacionais, a questão da soberania na Amazônia, a cooperação internacional e por aí vai... Isto sem falar na pós-graduação, onde no Curso de Comunicação Integrada, temos uma disciplina específica - Comunicação e Sustentabilidade - para tratar do tema com maior profundidade, mas dentro da perspectiva da comunicação.
Há a dimensão interna, que consiste nos esforços para engajamento da Comunidade Escolar. Recentemente , por exemplo, organizamos a Semana da Sustentabilidade em nossa escola, com mesas redondas sobre o tema e participação dos professores, alunos, funcionários e público externo;
E há a dimensão político-institucional, que é a atuação da ESPM em rede, trazendo a sua contribuição, não só numa ação articulada com o terceiro setor, mas a partir da sua expertise, junto a entidades como ABA e ABP, por exemplo, assim como "hospedando" em suas instalações iniciativas que fomentem a perspectiva da sustentabilidade.

2 - Quais as oportunidades que os alunos da ESPM-RJ têm de aplicar na prática as ferramentas aprendidas em sala de aula?
Bem, a própria grade propicia que os alunos tenham experiências práticas, seja  analizando criticamente as estratégias de marketing e comunicação empreendidas por ONGs e propondo novas alternativas, por exemplo, ou avaliando como as empresas que atuam no mercado estão reportando a sustentabilidade, por meio de seus relatórios de sustentabilidade veiculados em seus sites ou mesmo entendendo como as empresas tem se apropriado da sustentabilidade como atributo de valor,  por meio da análise de anúncios  publicitários, por exemplo.

3 - Fale um pouco sobre a parceria com a Fundação Citi e atuação da ESPM Social em trabalhos voltados para o Terceiro Setor.


Esta parceria se iniciou no ano passado e faz parte do programa de cidadania corporativa do Citi, que escolhe escolas referência de países emergentes onde o grupo atua, e as apóia na implementação de projetos em comunidades de baixa renda  e junto a entidades do terceiro setor, a serem realizados pelos alunos, com a orientação de professores.
O objetivo seria a formação de futuros profissionais e líderes que façam a diferença, contribuindo para uma sociedade melhor. Pode parecer lugar comum, mas o fato é que uma das frentes deste trabalho - o trabalho de consultoria em comunicação e marketing feito pelos alunos para entidades do terceiro setor - tira os alunos da "zona de conforto" ao introduzi-los em ambientes diversos do seu, ao mesmo tempo que os leva a aplicarem todo o ferramental teórico e prático adquirido na faculdade, mas num outro contexto.
Eles aprendem que a comunicação, por exemplo, pode fortalecer não só marcas de bens de consumo, mas ajudar a mobilizar as pessoas para causas coletivas; que as instituições do terceiro setor também precisam de indicadores e metas e, portanto, de gestão, para alcançarem seus propósitos, como instituições de outra natureza. E, por fim, vale lembrar que os alunos já entenderam também que a participação em programas como este aumenta seu potencial de atratividade no mercado, já que a atuação voluntária é algo sempre bem considerado pelas empresas ao analisar os currículos dos candidatos, em processos de seleção.

4 - Como preparar os jovens que serão o futuro deste mercado de trabalho para terem estratégias para o crescimento e lucratividade de uma empresa ao mesmo tempo em que necessitam embutir ações de responsabilidade social e ambiental?

Como já dito, abordando isto em sala de aula, já é um ótimo começo, mas de maneira bem atual, trazendo cases de empresas que já atuam desta forma, entendendo a sustentabilidade a partir de várias perspectivas: seja da gestão dos processos produtivos, da mobilização dos indivíduos, da comunicação dos atributos, do modo como se concebem os objetos e as pessoas passam a fazer uso destes, das práticas de consumo que precisam ser repensadas porque o  consumidor começa a querer saber qual é a história das coisas que escolhe comprar, o quanto há de impacto social e ambiental nos ciclos de vida dos produtos, da inclusão e acessibilidade e por aí vamos... Esta discussão precisa estar ancorada na vida dos jovens porque senão, com costumo dizer, ela vai comprar a camiseta da grife cara que palavras de ordem a favor da Amazônia, mas não vai prestar atenção e nem se indignar-se com a qualidade das lagoas que circundam o condomínio onde mora.



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