O grupo Reader’s Digest passou ao largo da crise que acometeu a empresa nos Estados Unidos. A empresa cresceu em receita 10% no último ano (encerrado agora em junho), teve aumento no lucro de 35%, e está focada na diversificação de negócios. Hoje a revista Seleções, por exemplo, corresponde a apenas 20% do negócio da empresa no país, cujo maior foco tem sido na área digital e seu know-how em marketing direto. A empresa vem inclusive terceirizando seu know-how vendendo, por exemplo, assinaturas de revistas Caras pela internet. A força da empresa tem sido nas ações de ativação de vendas de produtos via marketing direto – com malas diretas (físicas ou virtuais). O segredo é oferecer o produto certo, para os consumidores certos, na hora certa.
1. Qual o foco, hoje, da Reader's Digest?
Diversificar o portfólio de produtos para além da área editorial, crescer a receita B2B, através da nosso braços de Serviços de Marketing e avaliar a entrada no mercado de e-commerce através de marca própria e utilizando nosso know-how em Marketing Direto, desenvolvido ao longo de décadas.
2. E como criar essa operação de e-commerce? Associando-se a outras empresas, terceirizando apenas o comercial como a Amazon ou montando
uma operação própria?
A princípio, e ate mesmo como forma de criar valor, através de uma operação própria, mesclando nossa expertise com o negócio tradicional de e-commerce. Mais a frente, com o negócio estabelecido e rentável poderemos avaliar associações ou parcerias com outras empresas.
3. Como o know-how de marketing direto da empresa vem alavancando os negócios? Qual o tamanho, magnitude e crescimento desta operação?
Nosso know-how é reconhecido no mercado, somos muito citados quando o assunto é marketing direto. Assim, começamos a estabelecer parcerias onde nos tornamos o "braço comercial" dos clientes, vendendo seus produtos através do canal digital. Um de nossos parceiros é a revista Caras, criamos a estratégia e implementamos a venda de assinaturas através de e-mail MKT, mídia on-line, etc. É uma linha de receita que vem crescendo a taxas de 50% ao ano e onde temos ainda muito espaço, é até engraçado uma empresa típica de venda ao consumidor final, como Reader´s Digest, criar um negócio onde o foco é a parceria com outras empresas, mas isso decorre justamente do fato de nos conscientizarmos que nosso maior know-how, além de desenvolver conteúdo, é saber vender produtos, o que tem muito valor hoje em dia para qualquer empresa.
4. E a revista Seleções, qual o futuro, considerando o crescimento da área digital da empresa?
A revista continuará sendo por muito tempo nosso produto mais conhecido, é quase como a cara da empresa. Entretanto minha expectativa é que, com o tempo, mais e mais assinantes sejam proveninetes do canal digital e que eles comecem a receber seu conteúdo através de múltiplas plataformas, no momento e quantidade desejados. Teremos que oferecer ao nosso assinante total flexibilidade e conforto, para que ele possa consumir a revista da forma que mais lhe convier, e isso muitas vezes não envolverá nosso tradicional formato físico.